Padrão?

Queria conseguir acabar com esse padrão
Onde as mulheres mais maduras e mais responsáveis
Andam de salto alto e roupa social
Onde, as mesmas mulheres sensatas,
Não usam piercing ou cabelos de cores fora do "padrão"
Queria que me mostrassem
Onde consta na lei que meu cabelo afro colorido raspado
Interfere na minha inteligência e no meu caráter.
Onde a minha calça rasgada e minha blusa de banda
Mudam a minha maturidade
Onde meu braço rabiscado de tatuagem
Pode piorar meu desempenho no trabalho ou me tornar menos capaz
Me mostre você, que foi moldado por essa sociedade,
Se todas as pessoas do mundo são “perfeitas” como pedem
Se o cara mais inteligente do mundo é revestido de pudor
E se em todo o seu corpo não há um resquício de tinta de tatuagem.
Quero que me mostrem onde me obrigam a ser
Um padrão
Um ser comum
A ser esbelta
A vestir 36.
Me mostre onde meu cabelo e roupas diferentes
Me torna menos sério e menos respeitoso
Quero que me mostrem onde está o meu atestado de ignorância
Por conta do meu cabelo azul.

(A Sonhadora)

Mudar...

Hoje estava lembrando do dia em que nos conhecemos
Do nosso primeiro gole de açaí
Lembrei também da pequena conversa na escada do prédio
Eu mal tinha olhado na sua cara
E não sei porquê falei com você no dia seguinte
Mas no final eu soube, não é?
Você veio para quebrar barreiras
Me ajudar a descobrir o que sou
Quem sou...
Mas você não pôde permanecer com a pessoa que ajudou a mudar
Você me libertou
E eu voei
Voei, porque você fez por onde.
Hoje sinto sua falta, às vezes, ao vagar pelos pensamentos.
Queria saber como está
Mas não quero te ver.
Ainda assim rezo para que esteja bem.

(A Sonhadora)

Amor impróprio...


Por estar cega de dor
Desejou amor no seu tempo
Suplicou pelo calor
E teve.
Teve mas sofreu da mesma forma.
Pulou em vão
Caiu e não era macio
Era duro e doía
Doía porque foi no seu tempo
No tempo que queria
O seu agora.
O seu hoje.
Nunca soube esperar o amanhã
Nunca aguentou
Não sabe o que é a solidão
Não se ama
Portanto, não sabe amar.
Não sabe o verdadeiro calor
Não sabe acalmar
Está onde está
Pela própria culpa
Pelo próprio orgulho
Nunca soube o que quis
Sempre indeciso
Sempre na lua
Sempre nos sonhos.
Sonhos irreais
Sonhos que nunca iriam acontecer
Ainda assim, quis permanecer no seu próprio mundo
Sabia que não se encaixava naquilo
Era daquela maneira
Daquela forma
Daquele jeito
E não mudaria.
Amar era seu maior dom
Não se amar, era seu carma
Agora faz chover diariamente
Ao amanhecer e ao anoitecer
E se pergunta
O que houve com todo o amor que deu.
 
(A Sonhadora)