A palavra... A dor... A lágrima...




Ela estava sorrindo.. Não parava de sorrir.
Afinal, era feliz.
Mas isso tudo se foi repentinamente.
Por uma palavra. Apenas esta palavra.
Tudo veio à tona de uma vez só.
Ela se lembrou dos porquês de seu passado.
Na sua cabeça tudo era lamento.
Tudo era infinitamente erro. Apenas erro.
Então ela se perguntou: Por quê? Pra quê?
E assim aconteceu...
Ela chorou a dor de anos.
Chorou e criou um mar de lágrimas infinitas.
Que infelicidade.
E então tudo se transbordou.
Ela já estava cheia de tudo.
E tudo se fez sair.
A dor sempre foi finita.
Mas para ela nunca acabou.
E por essa razão tudo se tornou difícil.
Tudo se voltou contra ela.
Tudo e quase todos.
Quase, pois ela sabia fechar os olhos 
para a sua realidade e tentar deixar pra lá.
Tenta despistar essa dor dos outros ao seu redor.
Nunca quis que ninguém soubesse
de um resquício sequer de seu passado doloroso.
Nunca chorou na frente de ninguém.
Mas isso eram dias.. As manhãs de sorrisos.
Porém suas noites eram dolorosas.
Seu travesseiro encharcado de lágrimas.
Lágrimas amargas de dor.
Sua pele já não tinha a mesma cor.
Seus olhos já não eram mais brilhantes.
Seus sorrisos eram falsos.
Viraram sorrisos forçados.
Sorrisos de beleza.
Sua alma dilacerada
já não existia mais.
Ela acreditara que sua alma se foi
Para perto de um amor que já existiu.
Até sua alma a deixou.
E ela fez de tudo para seu coração não ouvir.
Mas toda essa dor, todas essas lágrimas,
todo esse mar de angústia voltou repentinamente.
Como um soco inesperado.
Tudo por causa de um ato inocente.
Uma palavra de dor.
Uma palavra, que, nem significaria tanto
se essa dor já tivesse se dissipado.
Mas coloquemos o medo na história.
Essa palavra anda ao lado dela.
É a melhor amiga. É o melhor amor.
Esse medo maldito.
Com ele, não há importância de palavras.
Pois, sempre irá cair uma lágrima a noite.
Mesmo que seja apenas uma.
Sempre será uma lágrima da mais profunda dor.