19° - Sonho...


  
  E ela não entendeu nada quando acordou. Estava ofegante, com os cabelos bagunçados e sem sentido nenhum na cabeça, no coração e no corpo. Ela respirou fundo, levantou da cama e foi até o banheiro. “Espelho, espelho meu”, ela disse. E refletiu sobre o seu reflexo bagunçado naquele espelho quase rachado.

  Ela se arrumou rumo a uma manhã de sorrisos e uma tarde de mais sorrisos ainda. Mas ele não estava lá. Quem? O mesmo ser de seus sorrisos cintilantes. Ela olhou para um lado e para o outro. Nada. Seguiu rumo ao seu destino. Bom dia! Mais um dia.

  Ele analisou tudo. Nada fazia sentido. Seu coração palpitava por algo e alguém que ela nem sabia se existia. Mas seguiu seu dia. Resolveu ignorar a pessoa real de sua vida. Por que? Ele atrapalhava. Isso que disse o sonho mostrando a realidade.

  Mandou mensagens. Sem respostas. Voltou a mandar. Desistiu. Ela decidiu não vê-lo. Por que? Motivos do sonho que lhe mostravam a vida real. Sem nada entender. Seguiu seu dia. Ignorou-o. Era preciso. Não queria chorar, mas chorou. Por ele? Pelo que não existia na sua vida real. Mas ela sabia que ele existia em seu coração.

  Ela sorriu. Era loucura toda essa força. Mas precisava fazer algo. Era como se esse real atrapalhasse toda a sua vida e não deixasse esse do sonho entrar. Mas ela não podia largar ele desse modo, podia? Não. Era injusto. O magoaria. Mas seu orgulho, ferido como sempre, não ligava.

  Ela tinha um princípio... Fazê-lo amadurecer. Precisava disso? Precisava de muito mais. Mas era amiga desse da realidade. Ela o queria bem e o queria perto dela. Mas não queria um menino, mas sim um homem.

  Só que era preciso algumas coisas mudarem. Ela teria que decidir. Tirá-lo da vida dela e esperar esse do sonho que mal sabia se existia ou não. Ou simplesmente deixá-lo aí e esperar com que esse ser de um sonho nada normal aparecesse. Ela só queria esse alguém para amar. Mas uma coisa ela sabia... Amava alguém em todo esse meio.

18° - Maldade...


  
  Ela tomou o orgulho, por si própria. É a primeira coisa que sempre faz. É por que quer? Não e sim. Ela adquiriu isso e nunca consegue vencê-lo até o dia em que alguém enfraquecê-lo. Ela sorriu e seguiu a frente. Recuou...

- Não fique chateado está bem?
- Eu vou ficar e você sabe disso.
- Não há motivos e você sabe disso.

  Ela se virou e foi sem hesitar e nem olhar para trás, ao menos pediu que ele a levasse até o portão de sua casa. Mas ele não era obrigado, certo? E ela, não era obrigada a tal procedimentos pedidos a ele. Ela foi e puta da vida mandou uma mensagem vinda do coração e de seu orgulho. Ele ignorou. Ela ignorou duas vezes mais.

  Mas seu coração pediu para amá-lo, mesmo do jeito que estava. Seu corpo o desejava mesmo que ela o renegasse. Sua mente pediu que ela ligasse para ele e dissesse que o amava. Sua alma pedia metade da dele novamente. Ela soluçou. Um choro se preparava para vir. Ela respirou novamente e sorriu. Olhou para o alto e ignorou ele e o resto dos sentimentos sem ser o ódio. Seguiu em frente.

  Ela era assim e não sabia de quem era a culpa. Nunca quis magoar ninguém, muito menos magoá-lo, mas toda essa fortaleza de ódio, orgulho e sofrimento criou essa brutalidade que todos chama de Lua. Ela era. Os seus cabelos representavam toda a mudança. O seu olhar mostrava o brilho que se apagara transformando-se em ódio. Seu caminhar mostrava poder, ela tinha, isso todos sabiam. Suas palavras? Ah, elas representavam a menina que poucos conheciam.

  Então ela apenas mostrou para ele o pouco dela e o que eles eram. Sem afeto? Não exatamente. Sem amor? Talvez na amizade. Ela só não queria... O que? Ela não sabia o que queria e o que não queria. Ela deitou-se e desejou ele mais uma vez. Ignorou. Foi forte. Mas deu uma recaída e sabia que não dormiria sem ouvir a voz de seu ser angelical.
- Alô?
-Oi..
- Lua?
- A própria.
- Motivo?
- ......

  Ela desligou novamente. Era o que precisava. Apenas a voz dele e uma noite de sono sem pensar em mais nada e em mais ninguém. Ela sorriu. De alegria? Não. Um dos seus melhores sorrisos. Aquele sorriso que esconde tudo que ela sente. Seu sorriso de ódio, solidão, angústia e o principal... Poder.

17° - Diferentes mundos...


  

  Ela só quis sair daquele mundo. Não era pra ela. Não combinava com ela. Era tudo tão perfeito demais e tudo tão normal demais. Não conseguia mexer com o seu interior e nem o exterior. Estava impaciente. Gritou por dentro e pediu ao seu cérebro que a desligasse por algumas horas. Era preciso.

  Mas por que ela estava ali mesmo? Ah, sim, ela se lembrou. Era por causa das novas pessoas da sua nova vida de menina mulher. Ainda era insuportável mesmo que os sorrisos parecessem tão reais e verdadeiras. Era tudo mentira? Não exatamente. Ela só não conseguia, de jeito nenhum, se encaixar naquele local tão normal e tão indiferente.

  Mas ela parou pensar no motivo de não se encaixar naquela vida de gente tão normal e tão mais motivada que a sua. Ela sabia? Sabia sim. Não era só uma coisa, eram várias. Além da classe média o seu jeito de, ainda, menina moleque não agradava há muitos. Ela era estranha? Não, era diferente. De que jeito? Do melhor jeito que se assiste e só aquelas pessoas que não percebiam.

  Até que então ela foi no seu mundo e se sentiu em casa novamente. Ela sorriu, e não era aquele sorriso que ela tinha dado no outro mundo, era o melhor sorriso dela. Aquele sim era seu sorriso de verdade. Era o único sorriso sem mentiras e sem vergonhas. Aquele era o sorriso que mostrava a todos quem ela realmente era.

  Então ela percebeu que não precisava daquele mundo mesmo que algumas pessoas tentassem levá-la para lá pra sempre. Ela só precisa desse mundo, do seu melhor mundo. Ela percebeu, hoje, que era feliz nele. Pois essas pessoas do seu mundo são iguais a elas. Tanto na classe como no jeito e nas loucuras. Eles eram a sua felicidade... O seu maior orgulho.

  Ela se sentia ótima, sabiam? Ela não precisava de mais nada além deles ao seu lado como antigamente. E isso está voltando. Ela está correndo atrás. Porque ela percebeu que nunca deixou de ser só deles. Ela só se afastou por momentos pequenos e irritantes em sua vida. Mas não foi preciso. Hoje ela teve a certeza de que nunca deixou de estar nos corações deles, pelo contrário, ela nunca saíra de lá, ela só crescera mais e só para eles.

  Por isso ela não decidiu escolher um dos dois. Ela precisava? Não exatamente. Estava em dúvida? Talvez não. Mas Ela não seria feliz se não tivesse voltado para o seu único mundo, porque o outro não a recebia tão bem. E ela precisa dos seus sorrisos e da segurança, que eles do seu único mundo, passam a ela.

16° - Menina mulher...


  
  E hoje, de acordo com todas as notícias mandadas, ela a menina com o seu jeito diferente não passou por bons momentos na sua tarde. Foram muitos pensamentos que fizeram-na refletir sobre tudo e querer mudar mais e mais.

  Ela já estava com dezessete anos e não parecia. Era uma menina linda e não parecia. Mal parecia uma menina. Era difícil para ela? Passou a se tornar. Pelo simples fato de estar crescendo e os pensamentos e jeitos de menina mulher deviam acontecer.

  Antes isso tudo era mais que normal. Todo esse jeito, sabem? Esse jeito de menina moleque. De menina que não liga para o que os outros vão dizer dela. Esse jeito diferente das meninas normais. Ela gostava, sempre gostou. Ela nunca gostou de chamar atenção.

  Nunca quis batons vermelhos nem roupa colada. Nunca quis usar salto nem quis seus cabelos soltos a todo o momento. O seu melhor era esse. Andar de chinelo e bermuda. Blusa solta e cabelos presos. Essa sim era ela. Nada de unha pintada pra cá, maquiagem pra lá e andar com outras menininhas ali.

  Mas tudo mudou. Ela tinha que crescer, não é? E cresceu. Mas pra que? Ela não poderia continuar sendo aquele moleque para sempre? Não podia. Já estava na hora de ela mostrar a grande menina mulher que existe dentro dela. Ela tinha que tentar pelo menos. Ela precisa largas suas sapatilhas e calçar o seu maior salto.

  Ela conseguiu? Está tentando. Mas essa mudança precisa ser devagar. Se for brusca do jeito que ela deseja, vai dar merda. Todos estão acostumados com a Lua que mal brilha a noite. Ela precisa querer mais também. Só que a sociedade é malvada e está complicado para essa menina moleque mostrar a sua grande menina mulher.

15° - Orgulho...


  
  E ela parou para analisar aquela “choradeira” toda dele. Não tinha motivos. Ele gostava dela? E daí? Ela disse desde o começo como seria. Não tinha paixão, apenas beijos e carinhos, então porque ele ficava daquele jeito? Não tinha motivos, ou tinha?

  Ela só teve que ir embora, nada demais. Ela tentou, sabe, tentou ser carinho e fazer com que ele parasse com aquela manha, mas não deu. Ela ficou quieta. Fria? Estava quase lá.

  Mas algo, que eu não sei o que deva ser, não a deixou ignorá-lo. Paixão? Sabia que não era. Apenas não queria magoá-lo porque sabia que com todo o orgulho que criara acabaria sendo muito ruim com ele e isso doeria. Ela já sentira isso? Muitas vezes.

  Então ela apenas escreveu palavras confortadoras para que aquele rosto de tristeza saísse, mesmo que o sue orgulho que criara a fizesse ser fria como de costume. Não o fez. Ela sorriu? Mais ou menos. Ela tentou esquecer, mesmo que a raiva a consumisse de tal maneira tão assustadora que ela resolveu escrever.

14° - Despedida...



  E foi apenas um “tchau” que a fez sorrir ao ir embora naquele momento. Um tchau qualquer? Não. O tchau dele. Daquele menino mais branco que ela, mais alto que ela, mas magrelo que ela e de aparelho que chegara a cintilar em uma luz forte.
  
  E estava frio naquele momento, ele poderia ter abraçado-a. Mas mesmo perto dela a distância parecia maior. Do outro lado, sacam?  Ele mexia no celular como se mandasse muitos sms’s. Ela desejou um para ela. Não veio. Se inquietou.
  
  Ela tremia de frio cada vez mais. Ouvia música e cantava no mais alto silêncio daquela estação. Ele, branquinho e bobo daquele jeito, olhava de tempos em tempos para ela. Como ela sabia? Olhava sem nem saber o por quê. Sorriu! Motivo? Ele deu um “tchau” sem querer por querer. Ela sorriu, levantou a mão e acenou com a mais pura felicidade nos olhos. Motivo? Não sabia.
  
  Ela desejava? Desejava algo que não se podia ter. Ele? Não se sabia. Talvez um sorriso ou um abraço quente e apertado naquela estação fria e sombria para ela, uma menina medrosa e quieta.
  
  Tchau. Ele deu mais uma vez. Ela? Levantou a mão, sorriu e ficou olhando com o sorriso no rosto maior que tudo naquele momento. Até que não deu mais para olhá-lo e sorrir. Ele se foi. E ela, com o coração alegre e cintilante, como o aparelho dele sobre a luz, esperou até a sua vez chegar.
 

Enxergar...



  "E se as pessoas fizessem que nem eu e olhassem para dentro de seus olhos, talvez elas se apaixonariam como aconteceu comigo. E se essas mesmas pessoas se aproximassem de ti do mesmo modo que aconteceu comigo, talvez elas não conseguissem mais viver distante de ti como aconteceu comigo.
  
  Quem sabe, se essas pessoas por aí resolvessem te conhecer do jeito que eu conheço e se aproximassem demais dessa pessoa maravilhosa que você é... Talvez eu ficaria para trás, e você, mostraria mais de ti para essas pessoas. E talvez se essas pessoas começassem a te olhar do mesmo modo que eu, através de seus olhos em direção ao seu coração... Quem sabe elas não resolvessem te amar como eu fiz. Você seria feliz, não seria?
  
  Quem sabe se um dia alguém posso olhar diretamente nos seus olhos, sentir seu coração e dizer que seu amor é somente dela. Isso tudo um dia pode acontecer no momento em que alguém te olhar profundamente nos olhos e descobrir que por baixo de um menino com o corpo bruto existe um homem mais sensível que uma pétala de rosa mais forte e decidido que qualquer um."

-- Meu Colorido

13° - Pequeno segredo...



  Ela, um dia desses, olhou para a pessoa que hoje tira sorrisos de seu rosto e desejou beijá-la intensamente. Beijou.
Mas, com esse beijo ela desejou dizer que o amava. Disse.
 
  Só que, por um impulso não muito impulsionado e por uma vontade vinda de não se sabe aonde, ela desejou ser dele. Apenas dele. Amá-lo e tê-lo para sempre. Ela só desejou ser a única menina dele, a sua namorada.

 Ela não quis dizer. Não quis fazer com que ele pedisse. Apenas parou e ficou olhando para aquele rosto que continha o melhor sorriso metálico. Sim, ele usava aparelho. Tinha colocado a pouco tempo, e ela não parava de desejar seu sorriso.

-  Lua?
-  Oi...
- Posso te amar?
- ...

  E por uns segundos a fins na sua mente ela quis dizer que sim. Quis mostrar para ele que ela ainda podia amar alguém e esse alguém era ele. Mas não. Ela, mesmo querendo e desejando muito, não queria ser dele nem ao menos poder chamá-lo de seu.

  Ela não queria sofrer mais nem fazê-lo sofrer. Só por causa disso? Não. Mas também por motivos desconhecidos que até ela mesmo desconhece. Mas isso não esconde o fato dela o querer e fingir isso por muito tempo.

12° - Perdão...


  
  E ela, sem perceber nada, se afastou do seu motivo de crescimento na vida. Ela não percebeu nada. Só se foi, com os olhos vendados, puxada por alguém ou algo que queria esse afastamento.

  E mais uma vez ela não olhou em volta e não olhou para trás. Então não se ligou naquele ser que faz de seus sorrisos os verdadeiros. O ser que consegue fazê-la esquecer dos problemas e sorrir porque a faz feliz.

- Me perdoa?
- Promete não ir mais, Lua?
- Prometo, Sol.

  Estava resolvido? Não se sabe. Ela só queria Poder ver o rosto da única menina que ela amou desde que a conhecera. Ela a fazia feliz... Tentava pelo menos. E a deixava brilhar quando se recolhia depois de suas noites de astro lindo.

  O seu perdão não era a melhor coisa naquele momento, pois a melhor coisa era ver a sua melhor menina sorrir depois de lágrimas escorridas e divididas com ela.

  Então nesse momento foram palavras e mais palavras. Brilhos nos olhares. E alguns sorrisos direcionados a cada uma. A promessa? Será cumprida. Porque quando se ama as promessas e decisões são feitas. Por que? Por causa do amor.

11° - Menina má...



- Lua?
- Oi.
- Tudo bem?
- Tudo, por que?
- Só perguntei.
- Está bem.

  Ninguém nem ela mesma a entendia. Ela estava diferente por causa de pensamentos aleatórios em sua mente conturbada. Em certos momentos a alegria explodia em seu coração, em outros, a raiva eclodia de um mundo só dela.

  Ela não se entendia e não queria de jeito nenhum. Longe de tudo e de todas a menina de antigamente resolvia voltar. A menina de antigamente? Revoltada. Ignorante. Insensível. Fria. E que sempre odiou as pessoas que hoje, ela fala.

  Ela simplesmente repensou em tudo o que foi e o que é hoje. Ela não gostou muito. Queria seu orgulho e sua brutalidade de volta. Queria sua revolta e sua raiva. Ela até que era “feliz” desse jeito. Não ligando para ninguém e nem se importando com nada.

  Até que numa noite dessas ela, deitada na cama, parou para pensar nisso direitinho. Ela desejou mais uma vez. Andar feito um moleque. Ser bruta novamente. Sorrir só quando for necessário. E sua frieza? Ah, a sua frieza era a melhor parte. Ela amava ser fria, sempre gostou.

  Agora ela está indecisa, porque sabe que essas pessoas de hoje que são suas amigas já foram suas piores inimigas mortais ao ponto de ignorar até o último momento. Ela desejou não ter as conhecido nem começado a ser amiga delas. Ela só quis voltar. Voltar tudo. Ignorar e passar a ser fria.

  Ela quis a sua maquiagem negra. Seus cabelos vermelhos soltos ao vento. Sua calça e seu tênis surrado e uma vida inteira para fazer da vida deles o inferno. Ela desejou o mal de volta e o inferno em suas mãos. Ela sorriu, mesmo indecisa, e pediu que aquela menina voltasse para a sua vida.